segunda-feira, 17 de março de 2014

O mistério


Era uma casa como outra qualquer.
Sala, quartos, banheiro, cozinha, quintal.
Nela morava uma família como outra qualquer.
Pai, mãe e filhos.
Mas era uma casa diferente.
Tinha um mistério.
Naquela casa, bicho não morria...
Misteriosamente,
Passarinhos voavam para longe,
Peixes fugiam na enxurrada,
Gatos pulavam pelo muro,
Cachorros escapuliam pelo portão aberto.
Os bichinhos viviam anos na casa
E um belo dia,
Fugiam.
O mais estranho
É que só a mãe via
E narrava o ocorrido aos filhos.
Sempre com riqueza de detalhes!
O passarinho que voou de galho em galho,
O pintinho que foi atrás de uma galinha,
O gato que se foi pelo telhado da vizinha,
O cachorro que fugiu ignorando os chamados aflitos,
O peixe que num dia de chuva pulou fora do aquário...
Sempre a mãe por perto,
Assistindo a tudo e
Não conseguindo impedir a fuga
E contando a narrativa...
Naquela casa bicho não morria.
Mãe não mente,
Suaviza...
Depois de ver a tristeza dos filhos
Diante da morte de entes queridos,
Tanta lágrima, tanta dor...
Decidiu, ou melhor,
Decretou:
Na minha casa bicho não morre!

E era esse o mistério...

(Para meu Davi, que diz que seu DOM é ser amigo dos animais...)


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